Se você é fã de infiltração pura e está cansado de jogos onde o “stealth” é apenas uma opção secundária, sente-se e prepare as adagas. Hoje vamos falar de um dos anti-heróis mais carismáticos e detestáveis da última década.
Styx: Shards of Darkness – Deluxe Edition não é apenas uma sequência; é a consagração de uma fórmula que exige paciência, inteligência e um estômago forte para o humor ácido.
Do que se trata o jogo?
Nesta sequência direta de Master of Shadows, assumimos novamente o controle de Styx, um goblin assassino de 200 anos que vive à margem de um mundo de fantasia sombria dominado por humanos, elfos e anões.
A trama nos leva a Korrangar, a imponente cidade dos Elfos Negros. O pretexto? Uma aliança suspeita entre elfos e anões e, claro, a busca obsessiva de Styx por Quartz, uma fonte de poder mágica e extremamente valiosa. Mas não espere uma jornada de redenção: Styx está aqui apenas pelo lucro, pelo sarcasmo e por algumas gargantas cortadas.
Conteúdo e Jogabilidade
A jogabilidade de Styx é “stealth purista”. Se você for detectado, as chances de sobrevivência em um combate direto são mínimas — afinal, você é um goblin pequeno contra guardas blindados.
- Mecânicas de Clonagem: A grande estrela. Você pode cuspir um clone para distrair guardas, ativar alavancas ou até se teletransportar para o lugar dele.
- Verticalidade Extrema: O level design é focado em camadas. Você passará 80% do tempo pendurado em vigas, escalando paredes e deslizando por cordas.
- Crafting: Agora é possível coletar ingredientes para criar poções de âmbar, dardos venenosos e armadilhas letais em bancadas de trabalho.
O que vem na Deluxe Edition? Além do jogo base, esta versão traz o Conjunto de Akenash, que inclui o traje clássico do primeiro jogo (que aumenta a duração dos clones) e a Adaga de Akenash, uma lâmina enferrujada que faz o corpo das vítimas se dissolver instantaneamente — essencial para não deixar rastros.
Destaques
O maior destaque, sem dúvida, é a quebra da quarta parede. Sempre que você morre (e você vai morrer muito), Styx aparece na tela de Game Over para insultar você, o jogador. Ele faz piadas sobre sua falta de habilidade e cita referências à cultura pop, de Exterminador do Futuro a outros ícones dos games.
Visual e Sons
Desenvolvido na Unreal Engine 4, o salto gráfico em relação ao antecessor é notável. As cidades são vastas, com uma iluminação que não é apenas estética, mas funcional: as sombras são sua única proteção real.
A dublagem de Saul Jephcott (a voz de Styx) é impecável. Ele entrega um personagem que é ao mesmo tempo asqueroso e magnético, com um tom rouco que se encaixa perfeitamente na atmosfera “suja” do jogo.
Pontos Fortes
- Fidelidade ao Gênero: Um dos poucos jogos modernos que não facilita a vida de quem quer sair correndo e batendo em todo mundo.
- Liberdade de Abordagem: Cada cenário tem pelo menos 3 ou 4 rotas diferentes para o mesmo objetivo.
- Modo Cooperativo: Você pode jogar a campanha inteira com um amigo, o que dobra as possibilidades táticas (e o caos).
Principais Concorrentes
Para quem gosta do estilo de Styx, os nomes abaixo são as referências diretas:
- Dishonored: Embora tenha mais foco em combate, compartilha a verticalidade e os poderes sobrenaturais.
- Thief (Série clássica): A principal inspiração para a furtividade baseada em luz e sombra.
- Aragami: Um jogo de stealth mais estilizado e focado em habilidades de sombra.
Curiosidades
- Origens: Styx não nasceu em seu próprio jogo. Ele apareceu pela primeira vez como um personagem secundário (e jogável em dupla) no RPG Of Orcs and Men (2012).
- Anti-Herói Real: Diferente de outros protagonistas que “se tornam” bons, Styx permanece um canalha egoísta do início ao fim, o que é um sopro de ar fresco na narrativa de jogos.
- Disponibilidade Atual: Vale notar que, neste exato momento (janeiro de 2026), o jogo tem aparecido com frequência em promoções agressivas e serviços de assinatura, sendo uma das melhores relações custo-benefício para quem busca dezenas de horas de gameplay.
Conclusão
Styx: Shards of Darkness – Deluxe Edition é uma carta de amor aos tempos em que os jogos de stealth eram desafiadores e punitivos. Ele não tenta ser um “blockbuster” genérico; ele sabe exatamente quem é o seu público: jogadores que preferem passar 10 minutos planejando um movimento do que 10 segundos apertando botões aleatoriamente.
Se você tem paciência e gosta de um protagonista que te xinga quando você erra, esse jogo é obrigatório na sua biblioteca.
